recostada na cadeira, os lábios pintados de vermelho
o maço de lucky strike meio vazio em cima da mesa
um bolo gourmet do kayser com cobertura de limão
nunca fizeram isto por ti?
devaneios sobre o camilo castelo branco
a pretensiosidade daquela figura que nada te dizia
quem escreve por dinheiro não pode escrever com a alma
guardei essa frase e repeti-a aos meus colegas
(pareceu-me tão inteligente)
- minhas senhoras, não podem fumar aí
peço imensa desculpa, não fazia ideia, no outro dia fumei, mas sim, realmente, incomoda os outros clientes, nós mudamos já de mesa, peço imensa desculpa
(não precisas de dizer tanta coisa, vamos só mudar de mesa...)
é que no outro dia estive aqui e havia cinzeiros
(por favor, vamos mudar de mesa, daqui a pouco vais-te embora)
o medo. o medo de fazer alguma coisa e ela achar-me inadequada.
o terror de dizer algo com que ela discorde totalmente.
o terror de ela me achar estúpida.
o terror de ser eu.
onde íamos nós?
(na minha paixão avassaladora por ti?)
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